Timelei - Porque acreditamos em sexo à primeira vista!
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O dia-a-dia de quem acredita em sexo à primeira vista.

Devaneios, contos, observações, notícias, masturbação mental, chutes, cultura inútil, inutilidade útil. A vida em dose dupla, sem gelo, sem mentira, sem viadagem.


 


30.09.04

Guia de Banheiros Timelei - Banheiro de Caras



É uma merda estar na rua doido para soltar aquele churros e não ter um banheiro adequado para tal. Na verdade, não é uma merda e a merda é justamente essa.

Para tirar do sufoco milhares de jovens angustiados é que chega esse guia. Você nunca mais suará frio sem saber se o banheiro do boteco da esquina é asseado, se é pecado soltar o terço na pivada da igreja ou se é uma boa pedida acessar o banheiro do cyber café para fazer um download com a sua banda larga.

Os critérios foram bem simples. Munidos de um rolo de papel na mão e uma merda no cu, nossas nádegas cabeludas e sebentas avaliaram os banheiros sob o seguinte critério: facilidade, limpeza, acessórios, últimos visitantes, conteúdo literário e finalmente, ventilação.


Nenhum banheiro escapou de nossos olhos abertos:

Não vale a merda deixada.




Alivia mas não convence.




Tão limpo que você poderia jantar no bidê.




Banheiro de Caras

Os leitores mais antigos do Timelei lembram que no Verão de 2002 tentamos passar um fim de semana na Ilha de Caras, porém pela total falta de dinheiro e fama, acabamos por subornar o zelador da ilha e passamos um fim de semana muito agradável no Banheiro de Carlos. Vocês podem lembrar desse momento clicando na figura abaixo.

Hoje, depois de um pouco mais de dois anos, nossa fama não é nada maior e a situação financeira é tão ruim que nem conta bancária temos mais.

Felizmente o mesmo passar do tempo que nos tornou mais barrigudos também trouxe a sagacidade que faltava para criar um subterfúgio torpe. Aproveitando a protuberância de sub-celebridades no mercado, nos apresentamos como ex-participantes do Reality Show "O Jogo". Como ninguém assistiu à monótona série, os administradores permitiram a nossa entrada, porém apenas para usar o banheiro. Afinal, sub-celebridade quando não faz merda quando é pseudo-famoso, faz quando é um real desconhecido.

Utilizar o banheiro da Ilha de Caras era o nosso único objetivo, e finalmente estávamos dentro do badaladíssimo lavabo. Por aquele banheiro decorado com torneiras de metal barato pintadas de dourado, já passaram milhares de bundas famosas. Angélica já havia soltado uma badalhoca ali. Joana Prado já havia utilizado aquele espelho para ajeitar o silicone e Eliana Dedinhos havia utilizado toda a sua marca registrada para se recuperar do rompimento com Justus e ficar pronta para "um novo amor". É um banheiro onde você não forra a tábua para se sentir mais próximo de sua estrela preferida.

A porta do Banheiro de Caras é uma agenda mais completa que a do Feltrin. Ali você pode encontrar o telefone das maiores celebridades brasileiras. O do Clodovil, por exemplo, está abaixo do recado "Procuro homem com pica grossa. Mamo tudo e não deixo pingar nada para fora". O da Daniele Winits está logo abaixo do Clodovil com a frase "Eu também". O celular do Ronaldinho está abaixo da mensagem "Quer virar capa da Playboy? Pergunte-me e eu como". Todos anônimos, é claro. Apenas Marcos Mion assinou a sua mensagem "Animo eventos, festa de 15 anos e bodas" com um telefone de recado ao lado.

O papel higiênico é o de dupla-face da marca Neve. Segundo os administradores, eles optaram pelo dupla-face por notarem nas praias da ilha que muitas celebridades possuem duas ou mais bundas devido a celulite não mostrada pelos photoshopeiros da Playboy. Quando o papel acaba, um novo rolo é entregue pessoalmente pelo mordomo Alfredo. Segundo a lenda, mediante uma gorjeta de 100 reais o mordomo com cara de pederasta ainda limpa o seu rabo.

O Banheiro de Caras é um espetáculo. A única coisa que incomoda são as câmeras colocadas em lugar estratégico para registrar qualquer momento besta que sirva para o "Estilo Banheiro de Caras". As celebridades tupiniquins não se importam muito em serem flagradas nesse momento de fraqueza pois sabem que a mídia brasileira é tudo uma merda mesmo. Porém, as estrelas internacionais não estão acostumadas com nossa cultura avançada de ética liberal e sem um pingo de preconceito. E acabam dando vexame como a Britney Spears na foto abaixo.




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24.09.04

Carlinhos e a lâmpada mágica - Parte Final


Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6, Parte 7

Parecendo um daqueles frangos de desenho animado com uma maça na boca foi como Carlinhos acordou no dia seguinte. Mesmo tendo dormido quase 12 horas estava exausto, porém tranqüilo. Não imaginava que conseguiria emendar duas façanhas sexuais como aquelas. Primeiro, a gorda do Habib´s. Mulher volumosa e de pouco jeito na cama, porém Carlinhos a encarou com voracidade e suas coxas ainda estavam doloridas por ter colocado a massuda para cavalgar nele. Depois, Martinha e sua sacola da feira. Desde a separação não tinha rolado nada com a ex-esposa, porém na noite passada ele teve a melhor foda desde que começaram a namorar.

Martinha havia amarrado Carlinhos na cama e colocado uma maça equilibrada entre os seus seios. Sentada em seu colo, obrigava ele a ir comendo a maça enquanto cavalgava bem devagarzinho. Ela nunca utilizava as mãos para rodar a maça, fazia isso com o seio esquerdo enquanto o direito servia de suporte. Era uma das coisas mais bizarras no campo sexual, jamais relatada no Kama Sutra. Quando a maça terminava certamente os dois já haviam alcançado o nirvana.

Carlinhos lembrou de tudo isso quando tentou se levantar e acabou caindo de novo na cama. Suas pernas não o obedeciam, estavam esgotadas. A dor em sua coxa era tão grande que parecia que haviam passado com um caminhão sobre elas. Na verdade os quatro restos de maça pelo chão e mais um que estava na sua boca revelavam qual foi o “caminhão” que ficou sobre as suas pernas durante a noite toda. Somando-se a isso, havia também o elefantinho do Habib´s, era sorte suas pernas não terem virado purê.

Em outro lugar, onde nem os gênios imaginavam o que era possível fazer com uma maça, um pouco de habilidade peitoral e um pouco de criatividade, estava o gênio acordando também. Ao seu lado, a tal linda gênia ruiva que havia caído em seu papinho e aceitado ir morar com ele em sua lâmpada. Apesar, leitor, de sua mente pervertida está imaginando que os dois haviam tido um foda genial na noite anterior, isso não era verdade. A ruiva só aceitaria consumar o sexo quando eles estivessem na lâmpada. Como qualquer macho, e gênios não se diferem em nada de nós nesse ponto, o gênio ficou muito puto com tal exigência, mas teve que aceitar. Então os dois dormiram na mesma cama e inocentemente abraçados tal como Michel Jackson e seu travesseiro de Peter Pan.

Uma coisa não saía da cabeça do gênio: poderia levar toda uma vida para que o terceiro pedido de Carlinhos fosse consumado e ele pudesse voltar para a lâmpada e mandar brasa com a ruiva. E o pior, ele não podia fazer nada para acelerar o processo. Tinha também outro problema, quando Carlinhos terminasse de traçar todas as mulheres do mundo, ele e a ruiva deveriam estar abraçados para poderem ir juntos para dentro da lâmpada. Parecia um beco sem saída, não poderia deixar a ruiva por muito tempo sozinha pois corria o risco de voltar à lâmpada sozinho e, por outro lado, se não ficasse sozinho não iria conseguir arrumar uma outra gênia para um sexo casual.

E mais uma vez a sua cabeça de gênio começou a funcionar mais como uma cabeça de macho do que de um ser cósmico. Contou para a ruiva que o terceiro pedido de seu amo poderia demorar a se concretizar. Explicou a natureza delicada do terceiro pedido e falou para ela retornar à escola de gênios para se despedir das amigas enquanto ele iria fazer uma visitinha aos seus velhos professores. A ruiva, como qualquer fêmea apaixonada caiu na baboseira de “velhos professores” e combinaram de se encontrar novamente dentro de uma semana na velha taverna. Ela chegou no colégio no dia seguinte a noite, mais ou menos na mesma hora que o gênio chegou ao famoso “Puteiro dos Gênios”.

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A história de Carlinhos também não andou muito até a noite seguinte. No dia após a salada de frutas sexual com Martinha, ele não conseguiu fazer muita coisa devido as pernas. Remarcou com Fábio a saída para a noite seguinte, tomou quase uma caixa inteira de dorflex e dormiu bastante.

Na noite seguinte já se sentia um pouco melhor, apesar das pernas ainda não parecerem responder muito bem. Mesmo assim decidiu sacrificar mais uma mulher para tirar onda com amigo. Sabia que naquela noite teria que pegar uma mulher feinha. Mas tinha um jeito de fazer isso e ainda tirar onda com o amigo. Carlinhos odiava mulheres magricelas, preferia encarar uma gordinha ao invés de fazer sexo com uma modelo pele-e-osso. Porém, Fábio tinha tara por mulher magricela. Foi assim que acabaram em uma festa de uma agência de modelos.

Durante a festa foi um sacrifício para Carlinhos ficar em pé. Suas pernas doíam e lhe causavam um mal estar que era aumentado pela estranha sensação de estar sendo seguido. Sua angústia era tanta que sentia vontade de chorar. Chorar de dor e não de felicidade como gênio estava chorando em uma cama do outro lado do hemisfério. Por séculos e séculos o gênio não trepava, e mesmo sendo uma prostituta pra lá de meia boca, o gênio acabava de ter um orgasmo fenomenal.

Nem tão fenomenal assim era a modelo magricela e de nome esquisito que Carlinhos acabava de mandar a sua conversa fiada. Ele queria logo acabar com a noite e por isso nem se deu o trabalho de guardar o nome da menina. “Tábua de passar roupa, esse será o nome dela para mim”, pensou. “Chego em casa, peço apenas um boquete que como todos sabem, menos o Bill Clinton, é sexo e resolvo o problema”. Fábio estava impressionado e não acreditava em seus olhos vendo o amigo saindo da festa com aquela belíssima modelo. Quem também não acreditava no que estava vendo era o garçom do “Puteiro dos Gênios” que estava recebendo um longo abraço de agradecimento do gênio por aquele lugar existir.

O garçom já tinha visto muita coisa esquisita. Por anos e anos sabia que ali era um oásis da felicidade e alívio para muitos gênios que passavam milhares e milhares de anos confinados em uma lâmpada sem fazer sexo. Porém nunca tinha recebido um abraço de um macho e estava até gostando daquilo. Com os seus dois metros de altura e quase mais dois de largura, muitos se sentiam intimidados em demonstrar qualquer gesto de afeto a tal figura gigantesca. Mas quem não estava nada intimidada com a arma que estava segurando na mão era a gorda do Habib´s.

Ela havia seguido Carlinhos a noite toda. Sem querer esbarrou com ele na farmácia quando ele comprava dorflex e uma quantidade absurda de camisinhas. Primeiro ficou feliz, achando que o amante havia aceitado viajar para a casa de sua irmã em Saquarema. Mas quando viu o “Galo” entrar em uma festa de modelos, ficou furiosa.

Carlinhos olhava para a balofa segurando a arma e a penúltima coisa que passou em sua cabeça foi um sonoro “fudeu”. Tentou correr, mas suas pernas doloridas não obedeceram. E com a mesma arma que a polícia não encontrou, mas foi usada para assassinar um velho porteiro de um prédio em Botafogo saiu a bala que foi a última coisa que passou pela cabeça de Carlinhos. Acabando com o terceiro pedido e a sua vida e mandando o seu espírito para algum lugar que a gente não conhece.

Quem foi mandado para um lugar que a gente conhece bem foi o gênio e o garçom do “Puteiro de Gênios”. Eles estão juntinhos dentro da lâmpada, aprendendo um com o outro e conhecendo melhor a vida de casados. Não vão viver felizes para sempre, mas sim por milhões e milhões de anos.

Milhões e milhões de anos é mais ou menos o tempo que a Ruiva e a Gorda irão continuar encalhadas. Problema delas. Quem mandou não saberem fazer coisas estranhas com frutas na cama?




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21.09.04

Carlinhos e a lâmpada mágica - parte 7


Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6

Geralmente quando terminam de realizar os pedidos de seus amos os gênios retornam à lâmpada e esperam que um novo amo apareça para libertá-los temporariamente da prisão. Porém, isso não aconteceu dessa vez.

Era uma situação atípica. Até hoje os pedidos dos amos eram de realização imediata: Quero dinheiro, cerveja e uma mulher gostosa! Pronto, as três coisas eram materializadas, o trabalho terminado e o retorno à lâmpada garantido. O que acontecia é que o pedido de Carlinhos ainda estava sendo realizado então tecnicamente o gênio não era obrigado a retornar ao seu cativeiro, o que lhe dava a oportunidade de desfrutar um pouco dos paraísos materiais do nosso mundo.

Ao invés de partir direto para o Habib’s como fez Carlinhos, o gênio preferiu um destino mais longínquo. . Foi até uma antiga taberna árabe que freqüentava na época do colégio de gênios.

Era uma época mais inocente. Eles e seus amigos de escola imaginavam que o trabalho de gênio era moleza e a única coisa que podiam fazer para sacanear com um amo era realizar um pedido ao pé da letra. Ledo engano. Mal sabia que anos e anos de confinamento iriam aflorar toda uma criatividade latente em algum canto esquecido do cérebro. Outra coisa com o que sonhavam eram com as deliciosas gênias que conquistariam ao longo da sua eterna existência.

Demorou um século para descobrirem que gênias não são artigo fácil no mundo. Diferente dos chineses, a cada 15 gênios que surgem, uma é mulher. E a cada 20 gênias apenas uma é loura. Isso acaba tirando um pouco da motivação de qualquer gênio jovem.

Mas não para esse gênio. De todos os pedidos que já havia realizado apenas um desejo ele teve vontade de realizar para si próprio, que era esse de Carlinhos. Gostaria mesmo de aumentar a sua freqüência sexual. Estar dentro de uma lâmpada é pior do que estar em uma prisão. Sem visitas sexuais ou travecos de alguma bloco sinistro, a única coisa que se pode fazer para aliviar a tensão dentro de uma lâmpada é ter a sua mão direita como sua melhor amiga. E é claro, muita imaginação.

Uma vez quando tinha como um amo um velho sábio do alto do Tibet o gênio havia escutado algo sobre gênios que conseguiam arrumar uma parceira para viver juntos dentro de uma lâmpada. Não era algo comum mas alguns gênios já haviam convencido outras gênias de que o casamento entre entidades cósmicas era algo possível.

E o nosso gênio tinha uma belíssima idéia. Retornar a velha taberna e convencer alguma jovem e bela gênia de ser o seu tutor. Contaria algumas mentiras sobre feitos incríveis e diriam que sua lâmpada era importada, com acentos de couro e ar condicionado. Vocês sabem, aquela velha ladainha de sempre.

Chegou a taberna e surpreendeu-se como o lugar não tinha mudado em nada. Muitas mesas espalhadas por todo o lugar, garçons se esquivando entre cadeiras e papos bem animados. Muitas e muitas mentes jovens com pensamentos tão puros que poderiam realmente mudar o mundo e o velho balcão com o mais velho ainda Hani-ka atrás dele.

Hani-ka não era um gênio e sim um velho anão. Quando era jovem Hani-ka tentou de tudo para o estrelato. Fez teste para um dos grandes “sete” que sadomizariam a Branca de Neve e também tentou uma brechinha no Senhor dos Anéis, sem muito sucesso.

Quando já estava chegando na meia-idade, um escritor de terceira categoria escolheu Hani-ka para estrelar um bizarrísimo conto onde um anão com asas encontrava uma lâmpada mágica. O livro obviamente não vendeu mais do que 5 cópias, porém Hani-ka selou ali o seu destino, quando fez amizades com um gênio influente e em seus desejos pediu estabilidade e imortalidade. Além, é claro que o gênio o livrasse daquelas asas escrotas.

Foi assim que Hani-ka se tornou o taberneiro oficial dos gênios. Seu trabalho é controlar os garçons e manter a budega funcionando. Não é nada complicado, já que cerveja gelada e ópio para fumar nunca faltam pois os próprios clientes se providenciam de criar estoques infinitos. Além do quibe, que não falta nunca.

O gênio localizou rapidamente o que estava procurando. Um grupo de quatro joven gênias conversando animadamente sobre o seu futuro. Eram 3 lindas gênias morenas com sua pele etérea azulada e, por incrível que pareça, uma linda gênia ruiva, peituda e com fumacinha esverdeada. Um pitél.

- Olá, lindas damas, permitem que esse gênio cansado de suas desaventuras por esse mundo se junto a vocês em uma caneca de cerveja?

- Nossa, você é um gênio em atividade? O que faz por aqui? Não deveria estar realizando desejos ou dentro de sua lâmpada? – Falou uma das morenas que não vale nem a pena perder muito tempo descrevendo, pois essa será sua única fala nessa estória.

- Nem tanto. Para um gênio experiente como eu não é nada difícil se reservar algum tempo de lazer e conhecer algumas beldades da vida, como vocês quatro.

- noooossssa! – Suspirou a ruiva com um ar de “me agarra”.

- na verdade estou aqui procurando uma pupila para passar algum tempo comigo em minha lâmpada importada e recém comprada no mercado das lâmpadas, para aprender novo truques e entender melhor o dia-a-dia atribulado de um gênio. Alguém se interessa?


Será que o gênio irá conseguir algo com esse papo furado? O que será que o destino guarda para Carlinhos? E que diabos afinal aquela mulher faz com as maçãs? As respostas na sexta-feira no capítulo final da saga Carlinhos e a lâmpada mágica.




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17.09.04

Carlinhos e a lâmpada mágica - parte 6


Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5

- Ontem eu comi a mulher mais feia da minha vida e estou feliz por isso.

Fábio começou a rir do outro lado do telefone ouvindo Carlinhos descrevendo o seu encontro amoroso digno de um especial no Discovery Channel. Ele começou a desconfiar que seu amigo estava envolvido novamente com drogas. Ou aquilo poderia ser uma reação pós-separação?

- Cara, você precisa de um tratamento. Vamos hoje lá no puteiro. Fiquei sabendo que chegaram umas meninas novas e, quer saber? Eu te pago as duas primeiras cervejas.

- Fábio, entenda uma coisa: Eu nunca mais vou pagar por sexo na minha vida. Hoje não dá para fazer nada porque estou muito cansado, mas vamos marcar alguma coisa para amanhã. Estou olhando aqui no jornal, e vai ter uma festa da Ford Models. Nós vamos nessa porra, e se eu não sair de lá com a modelo mais gata e gostosa da festa, eu te dou cinqüenta pratas.

- Ta certo. Eu tô precisando de uma grana extra mesmo. Ta combinado então amanhã, Carlinhos.

- Carlinhos não! Agora me chame de Galo.

- Galo?

- Isso. A partir de hoje esse será o meu apelido.

- Ai Gugu, só te chamo de Galo se você fizer a “Dança do Passarinho” pra mim.

- Vai se fuder!

Carlinhos bateu o telefone puto com o desdém do amigo. Ele não contou para o Fábio a história do gênio e dos três pedidos porque certamente ele não acreditaria. Mas quando o amigo o visse saindo com uma modelo gostosa atrás da outra, certamente iria começar a idolatrá-lo.

Preparou uma comida e adormeceu na frente da televisão, sonhando com todas as mulheres do mundo. Em seu sonho, ele estava sentado em um trono vestido apenas com uma coroa de ouro cravejada de jóias e ao seu redor milhares de mulheres. Elas era lindas e volumosas. Loiras, morenas, mulatas, negras e ruivas. De cabelos longos e curtos, de seios siliconados, naturais, do tamanho da palma da mão e de tamanho de um mamão. Estavam lá, todas elas, dançando e acariciando o seu “cetro”.

Enquanto duas loiras deslizavam a língua sobre o seu corpo, Carlinhos pegou levemente na nuca de uma morena para beijá-la. Quando a morena foi-se aproximando suas feições foram se tornando cada vez mais familiares e com um leve cheiro de maçã:

- Acorda Carlos!

- Martinha!

Ele olhou um pouco assustado por ter acordado e dado de cara com a ex-mulher. Estudou ela e notou como Martinha estava gostosa. Um vestidinho branco com um decote mostrando os seios volumosos, seus cabelos longos e pretos caindo sobre o ombro e na mão esquerda, o mais importante: Um sacola de freira com um monte de coisas e, entre elas, algumas maças.

- Queria para saber se você tinha pego as suas coisas na portaria e para saber se está tudo bem.

Carlinhos não respondeu. Estava hipnotizado pelas pernas de Martinha e pelas maças e suas sacolas. Apesar de estar muito cansado do trabalho sujo do dia anterior, começou a sentir uma ereção incontrolável.

Não quis saber e partiu para cima da ex-mulher. E pela tarde toda eles fizeram a salada de frutas mais bizarra de toda a história.


Penúltimo capítulo na Terça-Feira.




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15.09.04

Carlinhos e a lâmpada mágica - parte 5


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Carlinhos escolheu começar o seu tour sexual pelo Habib’s mais próximo. Tinha que descontar a raiva que estava do gênio de algum jeito. Chegou lá pedindo algumas esfirras de carne e um suco de manga. Estudou o local e facilmente localizou a única funcionária no momento. Ela era tão grande que pensou em fazer um documentário estilo “Super Size Me” das gordas que iria traçar durante essa viagem sexual. Comeu as esfirras e se arrependeu de ter pedido um suco de manga. Deveria ter tentado algo um pouquinho mais forte como vodka. Ou absinto. Tomou coragem, logo depois de ter tomado o suco, e mandou uma conversa fiada para a gordona. Marcaram de sair após o expediente e ela foi logo levando Carlinhos para o seu apartamento. E naquela noite ela teve a melhor transa de toda a sua vida.

A funcionária do Habib’s devia ter uns 150 quilos, enrolava massa 40 horas por semana e não era enrolada desde 2000, quando foi em uma festa junina regada a “capeta”. Na época, seu Ailton, porteiro do prédio Santa Márcia II em Botafogo, foi quem encarou o canhão. Levou a gorda para o seu quartinho no térreo do edifício, virou a cara e mandou a vara, literalmente. Depois que o nível de “capeta” na corrente sanguínea desceu, inventou uma desculpa sobre “não poder levar pessoas estranhas para dentro do edifício”, deu um vale-transporte para a balofa e se livrou do problema.

Carlinhos se surpreendeu quando se afagou naquele mundo adiposo como quem nasceu para fazer apenas aquilo na vida. Chupava a gorda com uma verocidade que pouco ligava se às vezes sua boca escapava dos mamilos para o umbigo, e ficou nesse movimento até ficar sem ar. Com certeza a sua taxa de colesterol subiu depois daquele ato. Em sua cabeça passava os devaneios das próximas mulheres: “Essa fulana aqui me credencia para uma Daniella Cicarelli, uma Débora Secco ou para Feiticeira. Que idade deve ter a filha da Luiza Brunet?”

Estava tão inserido em suas fantasias que quando percebeu já tinha dado três belas fodas na gorda e acabou desmaiado. Estava esgotado.

Acordou com o corpo ainda dolorido da peripécia sexual e percebeu que a jubarte tinha preparado um belo café da manhã. Dezenas de torradas, geléias de uva e morango, café, maçã, melancia, mamão e um grande bolo de chocolate. Como um troglodita, devorou a refeição sem dar ouvidos as balelas que a baleia falava. Não lembra direito, mas ela já estava com planos deles viajarem juntos para a casa de sua irmã em Saquarema e estava querendo marcar um novo encontro. Quando a adiposa começou com carinhos e beijinhos de mais, ele se despediu apressadamente com uma desculpa qualquer. Mas antes de conseguir ir embora, ela o segurou pelo braço e fez uma pergunta:

- Ei, gatão. Você esqueceu de uma coisa: Qual é o seu nome?

E ele pensou por uns 5 segundos antes de responder:

- Galo. Todo mundo me chama de Galo.

Era o começo de uma nova vida.


Continua na Quarta-Feira...




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14.09.04

“Compre Batom, Compre Batom, seu filho merece Batom.”


Dona Olga era muito influenciável pelos comerciais e acabou sendo hipnotizada por aquele molequinho na década de 80. (Ou seria 90?). Até hoje, toda vez que sai ela compra caixas e caixas de batom pro seu filinho de 30 anos. E o moleque continua viciado no doce. Come tudinho, chupa a cabecinha para ficar parecido com um batom, passa na boca e fica fazendo careta na frente do espelho. O prestígio dele com a turma é lá embaixo. Eles acham que esse Choquito é Lolo.




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14.09.04

Avestruzes na lua


Tem gente dizendo que o negócio do futuro será criar avestruzes na lua. Lá eles perderão crescer felizes com tanta cratera para enfiar a cabeça. Seria um pequeno passo para humanidade e um salto gigantesco para os avestruzes. Se eles soubessem pular....




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13.09.04

Carlinhos e a lâmpada mágica - parte 4


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O Gênio criava e devorava quibes de maneira voraz. Os olhos injetados de sangue e a convicção na voz mostravam que o terceiro desejo de Carlinhos não seria uma tarefa fácil. “Hakishira”. Era assim que o professor da escola de gênios chamava os pedidos complicados. Lembrava dos ensinamentos do antigo mestre:

“Se aparecer uma Hakishira pela frente, nunca se esqueça quem é o gênio na situação! Sempre tem como complicar a vida do nosso amado amo”.

- Está preparado? – Perguntou Carlinhos mordendo os lábios.

- Claro, meu amo. Pode pedir.

- Eu quero transar com todas as mulheres do mundo.

O Gênio colocou a mão no queixo por alguns segundos, depois abriu um sorriso com o canto da boca e falou:

- Que seja feito!

E todo aquele ritual esfumaçado recomeçou. Porém, Carlinhos dessa vez não viu sua vida passar diante os seus olhos. Ele sentiu uma sensação de confiança jamais imaginada. Era como se ele fosse o dono do mundo e que pudesse fazer tudo. Não sentia mais vergonha de mijar no mictório ao invés da privada e podia conversar com qualquer homem olhando para os olhos.

- Está feito.

- Como assim, está feito? Cadê as mulheres?

- Você terá que ir atrás delas....

- Como assim? Não foi isso que eu pedi!

- Foi exatamente isso que você pediu. Apartir de hoje você poderá com qualquer mulher desse planeta. Não precisa fingir ser inteligente ou culto, pensar em cantadas criativas e muito menos ter um carro importado e muito dinheiro no banco. Qualquer mulher a qual você desejar, você a terá!

- Grande gênio! Comecei a gostar de você! Vou partir agora mesmo e mandar ver naquelas três gostosas do posto de conveniência daqui de baixo.

- Calma, mas existe um porém!

- O que??? Porque sempre existe um porém?? Que merda é essa???? Eu fui bastante claro no meu pedido!!!!!!

- É assim que trabalhamos. Como você acha que nós gênios nos divertimos? O Trato é eu sair da lâmpada e realizar três pedidos. Ninguém nunca disse que eu não posso sacanear uns babacas pelo meio do caminho. E você tem que admitir, é muito mais divertido ser mau do que ser bom.

Por essa Carlinhos não esperava. Apesar de saber que gênios não eram confiáveis, acreditava que tinha feito o pedido de maneira clara e objetiva. Onde está a sacanagem em “Eu quero transar com todas as mulheres do mundo” ? Tinha certeza que havia dado até uma ênfase quando disse “mulheres”. Antes tinha pensado em terminar a frase ali mesmo: “Quero transar com todas as mulheres.”. Porém, o gênio safado poderia falar que eram todas as mulheres do edifício, ou da cidade apenas. Ou todas as mulheres que ele conseguisse transar por um dia. Foi aí que decidiu colocar um determinante, e a primeira coisa que veio em sua mente foi “que eu já tenha visto”. Depois achou que isso era muito limitador. Vai que no meio do caminho conhecesse uma garota interessante e não conseguisse traça-la? Seria a morte.

A segunda coisa que veio na mente foi “do universo”. Mas isso também era perigoso. Apesar de não acreditar em extra-terrestres e achar que todos ufólogos só estavam mesmo é arrumando uma boa desculpa para dar a bunda, não poderia arriscar em ter que traçar mulheres verdes ou com 10 braços. Afinal, que vantagem teria nisso?

- Qual é a treta afina de contas?

- Você irá transar com todas as mulheres do mundo. Não precisa começar ou obedecer uma ordem específica. Porém, não vale repetições. Você só poderá repetir e daí transar com qualquer mulher quantas vezes quiser se já tiver completado todas. Só serão válidas mulheres acima de 18 anos. Não irão te aceitar mulheres com menos de 18, mesmo as não virgens ou que aparentam ter mais de 18 anos. Eu também estou na campanha anti-pedofilia da internet e não quero problemas legais para cima de mim.

- Por enquanto por mim está tranqüilo.

- E a última coisa. Quando você disse todas, você quis dizer todas. Para me assegurar que você não vai transar apenas com as bonitas e de repente morrer antes de completar o trabalho sujo, existe uma regra. Para cada mulher bonita que você quiser traçar, você terá que ter comido uma feia. Temos que manter o equilíbrio universal.

- Desgraçado! Você armou para cima de mim.

- Nem tanto. Não estou considerando travecos ou homossexuais como mulheres. Apenas os operados.

- O que??? Eu vou ter que comer umas franxonas também!!!!

- Cientificamente elas são mulheres. Mais alguma pergunta?

- Sim. Eu quero começar logo, mas antes preciso saber se gênio tem mãe.

Continua na Quarta-Feira...




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11.09.04

Antônio e o relógio de ouro


Antônio queria ter um relógio de ouro igual aquele que o Pai do Bruce Willis e o Christopher Walken enfiaram no rabo no filme Pulp Fiction. Sabia que relógios hoje em dia não serviam para merda nenhuma e que qualquer irlandês maluco podia roubar o seu ouro. Mesmo assim, ele cismou com a porra do relógio.

Trabalhou igual a um corno e conseguiu o diabo do relógio. Virou a sensação nas festinhas do trabalho. Todo mundo queria enfiar o relógio na bunda para ver como era. Uns achavam impossível a história do filme, outros acreditavam que tecnicamente era possível, caso o soldado nunca tivesse comido uma feijoada. Mas todos concordaram que viado que é viado não tem hora para enfiar coisas na bunda.




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10.09.04

Carlinhos e a lâmpada mágica - parte 3


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- Esse sim é um pedido inusitado, mas como eu falei, não aceitamos devoluções. Se assim meu amo quer, assim será!

- Manda bala, bigodão!

Carlinhos foi envolvido por uma fumaça azulada e com o aquele mesmo cheiro irritante que o gênio expelia. Sentiu os seus pés saírem pelo chão por alguns segundos, tempo suficiente para a sua vida passar pelos seus olhos. Notou que não teve uma vida das mais emocionantes até então, mas certamente essa visão foi mais divertida que alguns filmes do Almodóvar. Lentamente a fumaça foi se dissipando e Carlinhos estava de volta.

- Espero que tenha gostado, amado mestre! Qual é o seu segundo desejo?

- Como assim segundo desejo? Eu nem fiz o primeiro ainda!

- Claro que fez! Eu acabei de realizá-lo!

Ele apertou os olhos outra vez. Tinha certeza que tinha caído em um truque. Não se podia confiar em gênios e em corrida de cavalos. Mega-sena tudo bem! Lembrou daquela velha piada do tarado vestido de papai-noel que pede um boquete para uma mulher. E o pior, se sentiu no papel da mulher.

- Qual foi o meu primeiro desejo?

- Você quer lembrar do seu primeiro desejo? Para isso você vai gastar outro desejo...

Essa era a prova que ele queria. Agora tinha certeza que aquilo era algum truque do gênio ou algum pesadelo. No dia seguinte iria acordar e encontrar as suas velhas coisas espalhadas pelo chão da sala. Talvez até fosse comprar um pouco de fumo e colocar o velho cachimbo para funcionar. Mas nesse momento, estava decidido em ir fundo naquela estória.

- Tudo bem! Esse é o meu segundo desejo. Qual foi o meu primeiro?

- Você pediu para esquecer do dia que tinha visto o seu pai se masturbando vendo o filme da Rita Cadillac.

- Puta que pariu!

Afinal o gênio não estava lhe enganando. No momento que o bigodudo falou todas as suas memórias retornaram. A fumaça azulada, a sensação de estar levitando, os filmes horríveis do Almodóvar e o seu pai descascando a banana na frente da televisão quando chegou de surpresa para uma visitinha. O pior de ter visto essa cena, era ter visto a cena, esquecido e relembrando. Essa foi a maior maldição que o gênio jamais jogou sobre um amo.

- Se quiser, posso fazer você esquecer disso novamente.

- Não. Espere.

Não poderia pedir a mesma coisa. Já tinha desperdiçado dois desejos. O terceiro tinha que ser algo fenomenal. Tinha que pensar muito sobre esse terceiro desejo, algo tão bom que a imagem do seu pai, da Rita, da separação, do cheiro de Geovanna Baby com fritura, os filmes do Almodóvar e desperdiço de dois desejos se tornariam pequenos perto de tal realização. Tinha que alcançar a última fronteira dos homens. Tinha que se tornar o maior dos maiores, para não ser lembrando como um homem, porém o homem.

Acendeu um cigarro, colocou um resto de Jack Daniels em um copo, sentou na sua poltrona predileta e pensou. Ponderou por bastante tempo sobre a sua vida e tudo que sempre quis e nunca foi capaz. Lembrou dos gols que fez no futebol da faculdade, das coisas que fez para conseguir sexo. Lembrou da primeira mulher que teve na cama e das maças que o fizera o homem mais feliz do mundo por sete anos. E principalmente, lembrou que ninguém nunca tinha o chamado de “Galo”. Por um momento, esqueceu que era Carlinhos e fantasiou as pessoas o chamando pelo seu apelido. Então abriu um sorriso, virou para o gênio e falou:

- Eu já sei qual será o meu terceiro desejo.


Continua na Segunda-Feira...




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09.09.04

As coisas vão e voltam


Tirando a irmã do Vítor Belfort, as coisas vão e voltam. As roupas dos anos 70 caíram em desuso, voltaram a voga e lentamente estão ficando com cheiro de naftalina novamente. Aquele e-mail sobre anos 80 já foi e voltou tantas vezes em tantas caixas de correios e alguns tan-tans já estão fazendo festinha estilo e-mail dos anos 80. Toda vez que ligo o rádio tem alguma besteira dos anos 90 tocando. E na contra-mão da história, alguns malucos vão relançar o Atari.

O canal da Direct Tv dedicado a séries e filmes antigos chamado Retrô, já está fazendo 1 ano e já já o próprio canal estará exibindo em sua programação os seus comercias. Hollywood está cheio de re-makers e cada vez mais as novidades são mais antigas que as novas notícias velhas.

Tudo volta à moda e a sociedade ao que jamais foi em um tempo nem tão remoto assim. Tudo. Menos aquela gostosa da 6ª série. Essa daí embarangou de um jeito que não tem retorno.

Dizem que a única coisa que não tem retorno é a morte. Mentira. A linha vermelha também não tem e toda vez que eu volto para casa eu penso: “E se eu perder a minha entrada? Vou parar em Nova Iguaçu!” . Embarangar também é sem volta. E o pobre que um dia vira rico e depois perde tudo, consegue voltar a ser pobre. Agora o rico que vira pobre não consegue colocar os sapatos para secar atrás da geladeira.

É isso que aconteceu com a musa da 6ª série. Perdeu o seu sapatinho de cristal com um sujeito do científico naquele baile de formatura. Logo depois já tinha toda uma equipe do Globo Repórter mostrando mais uma área “inexplorada” do pantanal. Logo, logo o namoro predatório devastou a coitada que clama para o Ibama com um Carlton no canto da boca a volta dos anos dourados.

Mas ela nunca vai colocar o sapatinho de cristal atrás da sua geladeira. Pode apostar.




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03.09.04

Carlinhos e a lâmpada mágica - Parte 2


Se você ainda não leu a parte um, clique aqui antes de começar a leitura!


Enxofre. Carlinhos sempre pensou que gênios deixassem cheiro de enxofre. Mas estava longe disso. Logo que saiu da lâmpada, o gênio deixou no ar um odor que era algo entre Geovanna Baby e gordura de fritura com uma mistura de mofo aporrinhadora.

Outra coisa irritante era aquele bigode estilo Tom Sellek. Por que um ser que pode realizar qualquer desejo teria vontade de ostentar tal adorno? Tudo bem que poderia ser a moda há mil anos atrás quando o gênio foi engarrafado, mas se você passa um milênio dentro de uma lâmpada, o mínimo que você pode fazer para passar o tempo é se barbear!

Enfim, isso pouco importava no momento. Queria passar logo para a parte boa dos desejos, afinal é esse o fio mestre dessa história ou não é?

- Prazer, amado amo. Você me libertou depois de mil anos enclausurado nessa terrível lâmpada e como recompensa irei conceder a você três desejos. Não um ou dez, e sim três desejos!

- O meu primeiro desejo e ter mais três desejos!!! – Gritou Carlinhos um pouco excitado e um tanto que aboiolado.

- É a primeira vez que você lida com gênios, não é mesmo? – Falou o gênio tirando um quibe do bolso e dando uma bela mordia.

- Creio que sim. – Respondeu Carlinhos um pouco assustado.

- Deixa eu te explicar uma coisa. Quando eu falei “três desejos. Não um ou dez e sim três desejos!”, eu estava falando sério. Muitos já tentaram isso, acho até que é a coisa mais óbvia que vocês humanos fazem. Pense bem, eu não seria um gênio se não tivesse me precavido dessa traquinagem humana. Desculpa amigão, mas não vai colar.

- Bem, se você fosse um bom gênio mesmo e podendo realizar qualquer desejo não ficaria confinado tanto tempo em uma lâmpada...

- Todos nós temos nossas fraquezas. Mulheres menstruam e não conseguem abrir vidros de conservas. Homens são escravos de sua cabeça inferior e não conseguem pensar nada além do trinômio esportes-cerveja-mulher. Nós gênios temos que viver em lâmpadas e temos essa queda patológica por quibes. Quer um pedacinho?

- Não. Obrigado, quibes me dão azia. Mas então, eu posso pedir qualquer coisa?

- Sim, qualquer coisa. Nada é impossível para mim. Sou uma espécie de Tom Cruise das entidades.

- Como?

- Não entendeu? Nada é impossível para mim! Tom Cruise... Missão impossível.

- Nossa... não faça mais piadas, por favor!

- Esse é o seu primeiro desejo?

- Não! Claro que não! Continue com as suas piadinhas...

- Então esse é o seu primeiro desejo?

Era isso que Carlinhos tanto temia. Gênios são traiçoeiros. Eles ficam trancados anos e anos dentro de uma lâmpada só inventando novas maneiras de enganar os outros e comendo quibes. O cheiro de falácia, e de flatos, era tão evidente que era quase palpável.

Fuzilou o gênio com um olhar astuto, ignorando a sua pergunta. O pouco que tinha aprendido sobre gênios e suas traquinagens fora nos livros de Aladim durante a infância. Também tinha aprendido como utilizar uma banana como combustível no filme dos trapalhões no planeta dos macacos, mas nunca teve a oportunidade exata de utilizar esse truque.

- Muito bem, caro amo. Pense bem. Imagine algo que ninguém poderia fazer por você ou que você não poderia conseguir por si mesmo. Pense em algo intangível, inalcançável e inusitado. Algo que faça de você ou da sociedade algo melhor. E pronuncie corretamente o seu pedido e formule bem antes de fazê-lo, pois como você deveria saber, não aceitamos devoluções.

Carlinhos parou e pensou por uns dez minutos. Seus pensamentos se confundiam entre viagens a praias paradisíacas e a coleção de DVD de “Friends”. Também pensou em algo mais filosófico como “Quero ser feliz para sempre”. Mas estava com medo de pedir algo muito abstrato e o tal do gênio passar a perna nele. Pensou por um tempo em sua vida e nas coisas que ele gostaria de mudar. Então, lembrou de uma imagem que perseguiu por toda a sua vida e não teve dúvidas. Ele virou para o gênio, olhou no fundo dos olhos daquele ser etéreo e falou:

- Eu quero me esquecer do dia que peguei o meu pai se masturbando.

E o gênio surpreso, deixou o quibe cair de sua mão e virar uma placa de carne moída pelo chão da sala.


Continua na Sexta-Feira...




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03.09.04

Carlinhos e a lâmpada mágica


A última coisa que Carlinhos esperava encontrar entre as coisas que sua ex-mulher deixou na portaria de seu prédio era uma lâmpada mágica. Ele não conseguia lembrar daquela droga de lâmpada. Reconhecia o velho short de futebol - “Foi com esse que eu meti três gols contra os Pôneis no campeonato da faculdade” – e lembrava daquele livro de Kafka – “Comprei isso para impressionar a Martinha no início do namoro. Cada merda que você faz para conseguir sexo...". Mas de onde diabos teria vindo aquela lâmpada mágica?

Encontrou um cachimbo junto com um velho zippo. Era um velho cachimbo que ele utilizava para fumar maconha. “Deve ser por causa disso que eu não estou lembrando desta droga de lâmpada”. Como dizia os seus velhos amigos, eles não fumavam regularmente e sim para “regular a mente”. Deu uma risadinha ao lembrar desse trocadilho e chegou a conclusão que essa frase era o máximo de genialidade que seus amigos de fumo conseguiram ao longo da vida.

Jogou a lâmpada mágica de lado e foi até a loteria fazer uma fé na Mega-Sena. Acreditava mais na Caixa Econômica Federal, em amigo bêbado e na frase “Ordem e Progresso” do que acreditava em gênios. Sabia pouco sobre gênios, mas imaginavam que eles eram árabes, e uma coisa que tinha aprendido na vida era não confiar em pessoas que comiam quibe.

Tomou umas cervejas e assistiu um jogo meia boca na televisão. Merda! O Atlético perdeu de novo. Não que ele torcesse pelo Atlético, na verdade ele não torcia por nenhum time. Carlinhos deve ter sido a única criança que continuou torcendo para o “Brasil” depois que cresceu e não virou boiola por causa disso. Tinha uma simpatia pelo Atlético Mineiro por causa do apelido “Galo”. Carlinhos nunca teve apelidos durante a sua vida – a não ser o seu nome no diminutivo, o que não chega a ser tecnicamente um apelido – mas se um dia tivesse que ter um, gostaria que fosse “Galo”. Tinha alguma coisa de virilidade nesse apelido.

Durante a sua vida teve poucas mulheres. A primeira foi uma vagabunda barata em um puteiro sujo no bairro que cresceu. Tinha 15 anos e os amigos de seu irmão mais velho o embebedaram e “inauguraram” o coitado. A segunda mulher foi logo seis meses depois. Uma menina bem feitinha do colégio. Esse começo foi tão empolgante que imaginou que se tornaria uma máquina de fazer sexo. Mas o resto da adolescência foi uma coisa bem monótona. Somando isso com uma faculdade de engenharia, o sexo foi se tornando algo meio caro. Transou com mais duas profissionais e teve uma namorada por seis anos. Pensou que iria casar com ela, mas foi quando conheceu Martinha no ônibus.

Em menos de um ano eles já estavam casados. Martinha era fogosa e sabia uns truques bem bacanas com duas maças. Nunca tinha visto o ouvido falar daquilo antes. Era algo impressionante e com certeza foi a coisa que mais pesou quando decidiu pedir a mão dela em casamento. Viveram junto por bons sete anos de pura luxúria. Ela era Eva e ele Adão.

O casamento acabou pelas constantes brigas dos dois quanto à higiene de Martinha. Acredite, ela era meio porca. Deixava a louça suja pela pia, calcinha suja no fundo do banheiro e toda a espécie de cabelo entupindo o ralo. A gota d’água foi quando começou a dar rato na casa por conta de pedaços de maçã acumulados embaixo da cama.

- Puta que pariu! Dá onde você veio? – Indagava Carlinhos para a velha e suja lâmpada mágica.

Resolveu fazer o que qualquer pessoa sensata já teria feito antes. Foi procurar no Google. Digitou Lâmpada Mágica no buscador e encontrou o blog de um português metido a inteligente. Deixou uma mensagem no coments do blog, mas nunca voltou para pegar a resposta.

Não tinha mais o que fazer. Aquela lâmpada era uma espécie de baranga no fim de noite. Você está solitário e meio bêbado e só consegue enxergar a baranga pedindo para ser esfregada. Você olha para baixo, pede desculpas para o seu amiguinho e vai fazer o trabalho sujo. Uns se arrependem no dia seguinte, outros gostam da coisa e continuam como garis sentimentais pelo o resto da vida. Mas isso é outra história, o que importa para essa é que Carlinhos pegou a lâmpada, colocou no colo e esfregou com toda a sua força.

E não foi que um gênio realmente saiu de lá!


Continua na Quarta-Feira...




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02.09.04

Consciência pesada


Estou com a consciência muito pesada depois que fiz essa imagem no blogimagens. Não se deve fazer uma crueldade dessas com um grupo de pessoas que já sofrem tanta discriminação. Por isso mesmo, resolvi me retratar perante esse grupo de rejeitados da sociedade, à qual eu faço parte, que são os fumantes.

Você, fumante, pode estar se sentindo desmotivado com essa onda antitabagista que assola o mundo. Deve estar se sentindo culpado em financiar uma indústria que mata milhões por anos e nem usa farda. Mas fique sabendo que existem sim boas razões para continuar fumando. Algumas delas eu já listei aqui há muito tempo atrás.

E se elas não lhe bastaram, colocarei aqui um Top 20 de boas razões para continuar fumando. São dez razões textuais e dez em imagens. Bem, se depois disso você ainda quiser largar o fumo, sem problemas. Nós já iríamos perder você de câncer de qualquer jeito...

Vinte boas razões para continuar fumando.

10 – Não estamos interessados quando ou como vamos morrer, mas sim quem nós vamos comer no meio do caminho.

09 – Cansado de dar esmola para os pedintes? Dê um cigarro! A maioria fuma, o que acaba deixando o ato de dar um cigarro mais humano que dar dinheiro. Além disso, você estará gastando menos de quinze centavos por esmola e não o um Real de praxe.

08 - Se uma mulher acha que beijar um fumante é igual a lamber cinzeiro, se cuide. Dificilmente ela vai aceitar colocar a boca em um charuto de carne.

07 - Você sempre pode afastar barangas com a fumaça de cigarro.

06 - "Eu vou ali fumar um cigarro." É uma boa desculpa para fugir de conversas chatas.

05 - O cigarro sempre atrai umas gostosas querendo fogo.

04 - Para adolescentes é uma bela desculpa para demorar no banheiro. "Menino, você está se masturbando de novo?" "Não mãe! Eu tô apenas fumando escondido!". "Ah bom!!!!"

03 - O cigarro é um belo item de barganha quando acaba o dinheiro durante uma viagem da rapaziada ou uma festa. "Só te dou um cigarro se você pagar uma cerveja para mim!".

02 - Você consegue descobrir a personalidade de outros fumantes só de olhar a marca de seu cigarro. "diga-me que marca anda fumando que te direi quem és!"

01 - Não adianta. Quem fuma é muito mais maneiro e todo mundo sabe disso.






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